São Thomé das Letras é uma cidade do Sul de Minas Gerais, situada a 1440m de altitude e aproximadamente a 300km das capitais de MG, SP e RJ.
A região foi originalmente ocupada pelo índios Caraguases que habitavam as grutas e encostas rochosas e segundo uma das lendas, um jesuíta passou a habitar a gruta onde existem inscrições rupestres em forma de letras, o qual era devoto do Apóstolo São Tomé e levava consigo uma imagem do santo a quem os Caraguases se dirigiam como “Sumé!” em tom de reverência, em agradecimento ao auxílio prestado pelo peregrino. Acredita-se que com a passagem da expedição de Fernão Dias em busca do ouro, essas populações tenham sido dizimadas e a imagem esquecida na gruta no final do séc. XVII, por um dos expedicionários.Diz outra lenda que um escravo de nome José Antão teria fugido da senzala e se abrigou na gruta, encontrando a estátua e a aparição de uma pessoa de trato fino que o obrigou a levar uma mensagem escrita para o seu antigo senhor, na qual ordenava a alforria do escravo analfabeto. O fazendeiro prendeu o escravo, guardou a imagem e se dirigiu a gruta quando lá encontrou a estátua deixada na fazenda e não havia sinal de ninguém. Foi então que em 23 de março de 1770, João Francisco Junqueira libertou José Antão e pediu ao padre para erguer uma capela, onde se formou um povoado que em 1785 era denominado, Freguesia de Nossa Senhora da Conceição, recebe a igreja da Matriz com obras do discípulo de Aleijadinho, José da Natividade e ninguém mais falou do santo e nem da imagem milagrosa.
Em 30 de agosto de 1966, foi ratificada a Lei Estadual 2.764 e São Thomé das Letras assume a condição de município.A cidade compõe os circuitos turísticos da Estrada Real, Montanhas e Serras da Mantiqueira, sendo visitada desde a década de 1970, quando os primeiros hippies se instalaram na região e é um dos 30 destinos turísticos mais importantes do estado atualmente. A economia é baseada na agropecuária, extração mineral de pedras e o turismo. Com uma população estimada de 7.151 habitantes (IBGE 2021), em 2020, a proporção de pessoas ocupadas em relação à população total era de 21,4% e o salário médio mensal era de 1,4 salários mínimos. Em 2010, a população sem emprego formal tinha rendimentos de até 1/2 salário, com variações de 1/4 e até 1/8, somando 36,6% da população (dados não atualizados). O PIB per capita foi de R$15.920,53 com 16,8 milhões das receitas de fontes externas (93%) e despesas de 15,7 milhões (IBGE 2017), está em 569º lugar entre os 853 municípios do estado, numa das regiões mais belas do país onde a circulação de pessoas, bens e serviços é bastante expressiva.
A exploração da pedra São Tomé representa 90% das exportações minerais de quartzo folhado no Brasil e empregava no setor, apenas em São Tomé mais de 2.000 pessoas, segundo artigo publicado na Revista Saúde Ocupacional, São Paulo 2011, em um estudo realizado com trabalhadores onde aproximadamente 20% apresentavam Silicose, uma pneumopatia ocupacional grave.Com uma extensão territorial de 369km², integra a bacia do Rio Grande e a sub-bacia do Rio Verde possuindo duas APAs (Área de Proteção Ambiental), a APA do Cantagalo instituída em 1994 e a APA São Thomé em 2003 que se sobrepõe numa área de aproximadamente 10.000 hectares, abrigando as nascentes do Rio Caí, Córrego Marcelina e Ribeirão Cantagalo que desaguam no Rio do Peixe, que por sua vez recebe o esgoto coletado de 79% dos domicílios (IBGE 2021), o que é considerado adequado. A área rural, que corresponde a maior visitação turística, não possui um plano diretor de ocupação, havendo domicílios improvisados, agro-indústrias, hotéis, restaurantes, pousadas, com a captação de água e o esgotamento sem um estudo apropriado.
A urbanização descontrolada, com animais domésticos que ameaçam a fauna nativa, a produção de resíduos sólidos assim como o uso indiscriminado de lenha e madeira coletada nas matas, configuram um impacto ambiental grave, além das lavouras de soja e café que se espalham pela região, somados aos danos causados pela mineração. Segundo regulamentação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) Lei 9.985 de 2000, o plano de manejo de unidades de conservação deveria ser elaborado num prazo de cinco anos a partir da sua criação, no entanto, até hoje não foi regulamentado no município.O elevado índice de visitação pode triplicar a população em um fim de semana, a especulação imobiliária, o aumento de condomínios residenciais e o crescente êxodo urbano, notado nos grandes centros principalmente de jovens entre 18 a 30 anos, faz com que a população fixa não declarada aumente exponencialmente, principalmente nos últimos anos, com a COVID-19, cujo o levantamento feito pelo IBGE, a ser publicado, não consegue apurar devido a constante flutuação e/ou a declaração em outro domicílio. A forma de ocupação territorial em uma APA, necessita de um regimento que considere os aspectos relacionados aos impactos causados à área protegida em função do uso que dela se faz.
A proteção dos recursos naturais existentes, assim como o acesso e a distribuição, inclusive financeira, sobretudo quanto a água e o saneamento, deve ser feita pelo gestor público, aplicando as normas já existentes para todo o país. Na falta de gestores públicos, seja por incompetência ou insuficiência de recursos (sic..), cabe à sociedade organizada tomar as rédeas do que, neste caso, trata da sua própria existência, como residentes e empreendedores (sic...).
Essa conta não se faz de números, faz-se de consciência. E este é apenas um dos paraísos imaginários desta nação.
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